O Palmeiras leva uma vantagem mínima para o jogo de volta da semifinal da Libertadores, no Nubank Parque, mas não pode dar mole contra um Fluminense que chega vivo à decisão. No Maracanã, o time teve menos a bola, sofreu pouco, sobretudo no segundo tempo, e marcou duas vezes. Em casa, o cenário tende a ser mais equilibrado: mesmo com o Fluminense precisando mais do resultado, não dá para entregar a posse e jogar só atrás.
O primeiro ajuste é no ataque à profundidade. Sem Vitor Roque, o Palmeiras ficou comprimido na ida, com jogadores de apoio como Flaco López, Arias e Andreas Pereira, que se aproximam para jogar, mas não atacam o espaço. Sobrou para os laterais esticar o campo. Ramón Sosa, mesmo perdendo um gol na cara, ajudou a reter a posse e a gerar dúvida na defesa tricolor. Num jogo assim, o encaixe tático vale tanto quanto a qualidade técnica, e um camisa 9 de ruptura também favorece os contra-ataques, já que o Fluminense terá de sair para o jogo.
Com a bola, o Palmeiras precisa de paciência para manipular os encaixes do adversário, sem confundir calma com demora: na ida, Flaco e Arias prenderam a bola e tentaram dribles a mais em lances que pediam aceleração. Outro caminho é explorar os espaços na linha defensiva do Fluminense. O primeiro gol da ida nasceu exatamente assim, com os alas bem projetados obrigando os defensores a saltar e abrindo buracos entre lateral e zagueiro e entre os zagueiros.
Sem a bola, a atenção é com a movimentação do Fluminense, que manipulou bem a marcação palmeirense na ida, com Ganso saindo do meio para o lado e abrindo espaços por dentro. No primeiro tempo, uma pressão alta pela metade deixou a defesa plantada e um buraco entre as linhas; no segundo, o time esperou mais, empurrou o adversário para um lado e saltou para recuperar a bola. A ideia é alternar pressão e bloco baixo de forma coordenada: quando subir, subir em bloco com a defesa junto; quando recuar, manter pressão no portador, porque bloco baixo não é passividade.
Por fim, há o alerta dos minutos finais. Dos últimos 11 gols que o Palmeiras sofreu, oito saíram depois dos 40 do segundo tempo e seis nos acréscimos, incluindo o gol do Fluminense na ida, os dois contra a LDU em Quito e o do Corinthians no 4 a 1. O próprio Fluminense de 2023 virou contra o Inter nos dez minutos finais de uma semifinal parecida. O Palmeiras chega em bom momento, mas vai precisar de concentração do início ao fim para fazer a estratégia funcionar.
Principais lições
- A vantagem da ida é boa, mas o Fluminense segue vivo e o Palmeiras não pode abrir mão da posse em casa.
- Um atacante de ruptura, como Vitor Roque ou Ramón Sosa, equilibra o ataque e estica o campo para os jogadores de apoio.
- Com a bola, é preciso paciência sem demora excessiva e explorar os espaços entre os defensores do Fluminense.
- Sem a bola, pressão e bloco baixo precisam ser coordenados, sem deixar espaço entre a defesa e o meio-campo.
- Oito dos últimos 11 gols sofridos saíram depois dos 40 do segundo tempo, então a concentração na reta final é decisiva.
Para aprofundar
Para seguir a leitura tática do confronto com o Fluminense:
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