Palmeiras em mais uma final de Libertadores, mas com emoção

O Palmeiras está em mais uma final de Libertadores, a oitava da sua história e a quarta desde 2020, e segue vivo nas três competições no fim de outubro. Nada tira o peso desse feito. Mas a classificação contra o Fluminense veio com sofrimento, e entender o que deu errado no jogo de volta pode ser justamente o que aproxima o time do tetra. Em casa e com apenas um gol de vantagem no agregado, o Palmeiras colocou o regulamento debaixo do braço, tentou empurrar o jogo até o fim, jogou no limite e foi punido por isso.

Escalado da mesma forma que na ida, o time repetiu os mesmos problemas com a bola. Flaco López sozinho na frente não rende: ele precisa de um parceiro que ataque a profundidade para conseguir receber entre as linhas. Arias não cumpre essa função, porque também é um meia que quer a bola no pé. Sobrou para Andreas Pereira atacar o espaço vindo de trás, indo e voltando até terminar o jogo se arrastando, e para os alas, que tiveram de dar amplitude, atacar a profundidade e ainda recompor. Com a posse, o Palmeiras tirava a velocidade do jogo sempre que podia, circulando sem incisividade, num cenário que pedia alguém como Ramón Sosa para esticar o campo.

Sem a bola, o time se defendeu no mesmo 5-4, pressionando só de vez em quando e tentando manter a posse do Fluminense mais baixa. Isso não é um problema em si, até porque o adversário não criou tantas chances. O problema é a soma das duas ideias: esperar sem a bola e só querer que o tempo passe com ela. Com um gol de vantagem e jogando em casa, isso deixa o time sempre no limite do erro, porque o jogo também é mental e físico. Quanto mais o tempo passa, maior a urgência de quem está atrás e maior a tendência de proteger o resultado, ainda mais com praticamente os mesmos jogadores em campo: a segunda substituição veio só aos 83 minutos.

O gol de Hércules mostra o resultado disso. O Fluminense trocou passes rápidos e tabelas com o Palmeiras sempre um passo atrás no meio-campo. Gustavo Gómez acompanhou Hulk, Murilo foi arrastado por dentro e Giay ficou contra dois, entre Arana e Hércules, porque Andreas Pereira já não tinha perna para recompor. Com os marcadores chegando atrasados, a bola sobrou limpa para a finalização na entrada da área.

A leitura não é de crise. O Palmeiras vinha em boa fase, com o reequilíbrio tático dos três zagueiros e menos erros da comissão técnica, e jogou muito bem contra Athletico-PR, Corinthians e Bahia. Contra o Fluminense, porém, os problemas pontuais apareceram todos de uma vez: um time escalado com os melhores nomes individuais, e não com o melhor encaixe coletivo; Flaco de novo isolado; e a demora nas trocas, que se repete há vários jogos, da LDU, em casa e na altitude de Quito, à ida e à volta contra o Fluminense. Com perna pesada, a queda na reta final ficou previsível, e o time já vinha sofrendo muitos gols nos minutos finais. Nas decisões, e especialmente na final em Montevidéu, esses detalhes podem separar o Palmeiras do título.

Principais lições

  • Chegar à oitava final de Libertadores é o fato mais importante, e o time mostrou força para se manter de pé mesmo sem jogar bem.
  • Flaco López precisa de um parceiro que ataque a profundidade; sem isso, o ataque fica comprimido e sobrecarrega Andreas Pereira e os alas.
  • Esperar sem a bola e desacelerar com ela, com só um gol de vantagem em casa, deixa o time no limite do erro.
  • As substituições tardias se repetem há vários jogos e cobram o preço físico na reta final.
  • Para a final, o Palmeiras precisa recuperar o encaixe coletivo da boa fase e eliminar esses erros pontuais.

Comments

Uma resposta para “Palmeiras em mais uma final de Libertadores, mas com emoção”

  1. […] o lado ruim dessa gestão: pouca profundidade e muito tempo sem incomodar o goleiro adversário. A análise tática daquela partida detalha o que precisa ser corrigido até a […]

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