O gol do Fluminense no fim deixou um gosto amargo, mas não apaga o principal: o Palmeiras venceu por 2 a 1 um jogo de semifinal de Libertadores fora de casa, no Maracanã, e deu um passo importante rumo a mais uma final.
Sem bola, o Palmeiras trocou o 5-3-2 dos últimos jogos por um 5-4-1, com os meias voltando pelos lados. No papel parecia mais seguro, mas o primeiro tempo foi de um time atrasado e pouco agressivo. Os meias e o Flaco López subiam para encaixar na saída do Fluminense sem pressionar de verdade, e isso dava tempo e espaço para o adversário achar passes nas costas da primeira linha de pressão. A movimentação do ataque tricolor, com Hulk saindo da área e Ganso circulando pelos dois lados, deixava a linha de cinco na dúvida entre subir e proteger a área.
O Fluminense, porém, não transformou esse domínio em chances claras: faltou profundidade, sobraram toques e o jogo se concentrou por dentro. Com a bola, o Palmeiras construiu pouco. Ainda assim, o primeiro gol saiu de uma jogada bem desenhada: meio-campo preenchido, alas abertos nas costas dos pontas, tabela pela esquerda com Piquerez infiltrando nas costas do zagueiro e o Flaco acreditando até o fim para abrir o placar.
No segundo tempo, a linha de meio-campo e o Flaco subiram menos, o time ficou mais compacto e os zagueiros e laterais passaram a saltar com mais segurança nos atacantes. O problema com a bola continuou, e aí a ausência do Vitor Roque pesou: quase todos queriam receber no pé, ninguém atacava o espaço às costas da última linha, e o Fluminense compactava com facilidade. O ataque melhorou com a entrada do Ramón Sosa, praticamente o único do elenco que faz esse desmarque de ruptura, e a jogada do segundo gol nasce de um duelo aéreo e de um ataque ao espaço dele.
O gol do Fluminense veio de uma falha individual do goleiro Carlos Miguel, que ficou no meio do caminho, algo que não pode acontecer numa semifinal, mesmo depois de boas defesas ao longo do jogo. Mas o tamanho do resultado é enorme: o Fluminense nunca tinha perdido em casa na história da Libertadores. Que o gol sofrido sirva para o Palmeiras entrar ligado na volta, sem clima de já classificado.
Principais lições
- O 5-4-1 sem bola deixou o Palmeiras atrasado e pouco agressivo no primeiro tempo, abrindo espaço nas costas da primeira pressão.
- Mesmo com a posse, o Fluminense não teve profundidade e quase não criou chances claras.
- No segundo tempo, subir menos na pressão deixou o time mais compacto e fez a defesa funcionar melhor.
- Sem o Vitor Roque, faltou quem atacasse o espaço; o Ramón Sosa melhorou o ataque justamente por fazer esse movimento.
- A vitória por 2 a 1 no Maracanã é gigante, mas a falha no fim pede concentração total no jogo da volta.
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